O resultado das pesquisas do musicólogo Sérgio Dias é claro: o tema do Hino Nacional Brasileiro é um plágio de uma obra do Padre José Maurício Nunes Garcia (1765-1830)! Os primeiros compassos da melodia podem ser prontamente identificados no Responsório Sétimo de "Matinas de Nossa Sra. da Conceição", registrado em CD no VI Festival de Música de Juiz de Fora (1995), no qual participei como spalla dos segundos violinos.
Francisco Manoel da Silva foi aluno do Pe. José Maurício, o que explica a ligação das obras.O Padre foi o mais importante compositor brasileiro do período colonial.Toda sua trajetória como músico e compositor deu-se no Rio de Janeiro, onde nasceu.Apesar de influenciado pelos compositores mineiros que o antecederam, seu estilo tornou-se mais operístico a partir de 1808, para agradar a capela real portuguesa.
17/1/2002.
Zoltan,
Você não deve se lembrar de mim, eu participei dos Festivais de Juiz de Fora de 95 e 96, e toquei trompa na gravação das Matinas da
Conceição, com o Sergio Dias. Eu estava visitando o seu site (temos interesses parecidos: Finale, Informática), quando reparei o seu link sobre o plágio do Hino Nacional, e não pude me furtar de comentar a referência.
O fato é que o Hino Nacional é um plágio, sim, mas não do Pe. José Maurício, mas sim de Paganini, numa sonata para violino que apresenta EXATAMENTE a mesma frase inicial do Hino, apenas que em modo menor. Eu me lembro das Matinas (tenho o CD!), e as semelhanças são muito tênues para se poder dizer que se trata de plágio. Existia sim muita semelhança no modo de escrever de praticamente todos os discípulos de José Maurício (afinal, a escola era a mesma), e não seria de se estranhar que muitas coisas escritas por Francisco Manoel da Silva soassem de forma parecida. Ou seja, o que temos é um plágio da obra de Paganini escrito utilizando o estilo de José Maurício, mas não um plágio de José Maurício em si. Agora, que é plágio, isso é...
No mais, achei seu site bastante legal. Parabéns!
Abraço,
Thomas Hansen
Trompista
Editor de Partituras
Programador - Analista
Fri, 6 May 2005 11:43:04 -0300
Senhores
Quanto à discussão sobre quem teria plagiado o quê no Hino
Nacional brasileiro, creio que está faltando considerar uma obra fundamental
para entender isso: a ópera Elixir do Amor, escrita por Franz Liszt aos
12 anos de idade e cuja partitura havia queimado em uma biblioteca, mas da qual
foi descoberta uma cópia por volta de 1911. Nela já está,
em duas árias belíssimas, o que se tornou o Hino Nacional Brasileiro.
Creio que a ópera ecoa a Marselleise, como tomada de posição
política do compositor. Creio que é mais que hora de reconhecer
a real autoria do Hino, e não consagrar como autor quem foi no máximo
um arranjador.
Flávio Kothe
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